SEXO, MENTIRAS E OS MEDOS DO HOMEM

Quando Freud se perguntou o que pensam as mulheres, principalmente no que concerne a sua sexualidade, penso que a pergunta complementar deveria ser:   O que sentem os homens ? Pois em todo esse tempo de trabalho jamais vi na natureza ser mais complexo e desprotegido do que o ser humano e dentre estes o gênero masculino (os homens que me perdoem, mas...) .  Como terapeuta sexual e psicóloga acompanho todos  os dias suas dúvidas, suas frustrações e fantasias, bem como seus sentimentos de insuficiência e inadequação para lidarem com as mulheres, muitas vezes camuflados ou assumidos como grosseria e insensibilidade.

O homem (gênero masculino) é um animal com medo.

Penso que esse medo sempre existiu, seja no século XV ou no XX, passando mais fortemente a existir no século XXI, com o aumento da liberdade sexual feminina e o avanço das mulheres na ocupação de funções nitidamente tidas como masculinas. No entanto mesmo antes do advento do feminismo a mulher já apareceria como ser assustador, que conhecia os segredos da feitiçaria, dos “animais da noite”, dos sonhos e o pior... do sexo.

Para minimizar esse pavor, penso que dividiram em algum momento as mulheres em virtuosas ( por isso ingênuas, quando não sinônimo de ignorantes)  e pecadoras ( Eva, as bruxas, as grandes cortesãs que “dominavam os reis com um simples olhar” e hoje a executiva que comanda seus negócios com mão de ferro). Ou seja, de Maria, a Santíssima, até Du Barry ou Pompadour, todas trazem consigo um “conhecimento secreto’.  Todas,  fazem parte das fantasias sexuais do homem.

Em nosso correio eletrônico, todos os dias recebemos sempre perguntas que se repetem e que no entanto pertencem a homens de todas as idades, desde o adolescente cheio de espinhas que se masturba escondido com medo de ser apanhado, até o executivo bem sucedido de grandes grupos empresariais. Todos perguntam, o que querem as mulheres ? E acompanhando esta pergunta implicitamente outra: Será que eu sou capaz de descobrir e satisfazer estes “quereres” ?

O MITO DO TAMANHO DO PÊNIS E O MEDO DA REJEIÇÃO

A grande maioria das mensagens que recebo pela Internet, ou mesmo clientes recebidos para consulta, traz consigo estas dúvidas a respeito do tamanho ou da espessura do pênis, e o pior, acreditam veementemente na insuficiência deste para “satisfazer” uma mulher. Apresentam medidas, ou experiências que tiveram com mulheres ( e isto é o pior, pois até mesmo algumas mulheres chegam a acreditar neste mito, reforçando no homem o medo já instalado), que os acusaram de não “satisfaze-las”. Mas trataremos deste assunto no próximo tópico. Nos deteremos aqui apenas na questão acima.

Historicamente os homens sempre “pertenceram” às mulheres. Eles são gerados, paridos, banhados, manipulados e vestidos por elas, mesmo nas sociedades mais sectárias, onde a separação menino/menina se faz muito cedo. O menino é eternamente “condenado” a pertencer a uma mulher, desde que nasce até quando casa. Quando não o faz, e escolhe um companheiro do mesmo sexo, ainda assim é nítida a sensação de ligação que eles possuem com o elemento feminino,  seja no desempenho de profissões ditas “femininas” ou nas que cuidam da mulher ou ainda uma  presença significativa seja no discurso ou na ação, do elemento materno.

Ora, quando é que um homem percebe  que o seu pênis é pequeno?

Quando pela primeira vez ele se depara com um pênis adulto, que pode ser o do pai ou de qualquer outro homem. Para alguns psicanalistas, este é o “nó górdio” do chamado Complexo de Édipo. O momento em que o menino sente-se insuficiente para agradar a mãe com seu pênis, de uma vez que ela prefere “namorar” o Pai (ou outro homem adulto), pois ele tem um pênis grande, que é justamente do tamanho  que se adapta a ela.

Alguns desses homens com essa sensação de insuficiência, apresentaram em seus processos ou  a lembrança de encontros conjugais entre os pais ou ainda atos de infidelidade por parte de suas mães, o que os fazia pensar na “incapacidade do pai para satisfaze-la” apresentando até mesmo idéias de “hereditariedade do problema”.


Volta